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Futebol e Sudoku

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Antigamente o futebol era assim :o guardião, dois laterais, dois zagueiros, um médio, dois pontas, dois meias e o centroavante. E todo mundo entendia. Os locutores esportivos para dar um pouco de graça aos seus termos começaram a improvisar. O goleiro, coitado, que nasceu goal keeper, virou guarda-valas, depois guarda-meta, chegou a guardião e por fim goleiro. Os dois zagueiros viraram zagueiro central e quarto –zagueiro. O médio que nascera center-half, passou a volante. Os meias mudaram : criaram-se o meia- armador e o ponta de lança.

Então, os técnicos começaram a complicar e inventaram esquemas, funções e denominações. Mas tudo era muito lento. Do WM dos ingleses à laranja- mecânica dos holandeses, passaram-se 70 anos. Daí para frente, ficou uma salada só. Com os técnicos, os locutores entraram na farra. Alguns laterais viraram alas. Com o 3x5x2 nasceu o terceiro-zagueiro e até o líbero que pouca gente entende o que faz. Hoje temos o volante de contenção o que é um contra-senso porque quem é volante não pode se conter. Chegamos ao meia-de-criação até que Zagalo bolou o 4x3x1x2 e não se sabe se esse 1 era em homenagem à cerveja que patrocinava a seleção. Os pontas já eram. Telê Santana quando era o ponta-direita do Fluminense começou a ir para o meio e Zagalo no Botafogo gostou da idéia pela esquerda e pouco a pouco os pontas foram desaparecendo apesar da insistência do Jô Soares ( “bota ponta Telê “). Já tem time que joga com um lá na frente. Outros jogam com dois mas nenhum é centro-avante e aí o torcedor pede um “ homem enfiado”.

Nesse imbróglio, as torcidas vão ao estádio pensando não mais no possível espetáculo, mas nos esquemas dos seus times : 4x4x2, 4x3x3, 3x5x2,4x3x2x1,4x3x1x2. Nessas contas, toda soma dá 10 embora no São Paulo o artilheiro mesmo não entra na aritmética porque é justamente o goleiro-artilheiro Rogério Ceni.

O futebol sobrevive porque tem alguns fatores imponderáveis : o vento, o morrinho-artilheiro, a curva que a bola faz, o grosso, o frangueiro, as traves, os tabus, o Pelé e os juizes, claro, que destroem qualquer esquema de guerra dos treinadores.

Com esses números embaralhados é como se o futebol tivesse virado um sudoku, um jogo japonês de lógica numérica, mas como no futebol não tem lógica e os japoneses que por enquanto não sudokaram seus jogadores ainda têm muito a aprender no futebol.

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