Lembranças do PAN
Durante e alguns dias depois dos Jogos Pan-americanos do Rio-2007, alguns fatos ficaram marcados em minha memória. Vivi intensamente os Jogos trabalhando sem parar por 15 dias como locutor e comentarista de televisão. Tudo bem que a organização foi boa, que as festas de abertura e encerramento estavam bonitas, e que o número de medalhas brasileiras foi expressivo ( mas que não se espere os mesmos resultados em Pequim ano que vem).
Mas teve um dia que a pira apagou no Maracanã e veio a rápida explicação : foi um teste ! Ora, para mim, não pagaram a conta do gás o que é compreensível no meio de tantos papéis burocráticos a serem pagos. Falha leve e sem consequências. Em Atlanta, nos Jogos Olímpicos, uma flechada não atingiu a pira para acendê-la e alguém já estava de prontidão com um isqueiro e pouca gente percebeu a gafe. Se acontece nos Estados Unidos, por que não poderia acontecer aqui ?
O presidente da ODEPA Mario Vasques Raña ainda não entendeu bem o que aconteceu com seus discursos. Na abertura, sua primeira palavra foi Hoy(hoje) e ouviu o Maracnã em coro : Hoooiiii ! No encerramento, falou Hodje (hoje) e viu os risos dos mais atentos. Pior, estava informado que o povo carioca estava muito agradecido ao Presidente Lula porque liberou dinheiro a rodo para as obras superfaturadas e impediu sindicâncias. Mas quando ouvia a maior vaia da história do Maracanã, não entendeu nada. Ainda bem que Nuzmann, o presidente do COB estava ao lado e falou disfarçadamente pula essa parte, faz de conta que não aconteceu nada. E o esperto Ranã, declarou abertos os Jogos. Mas o Planalto dizer que aquilo fora orquestrado por uma minoria é um absurdo. Aquilo não foi vaia de um pênalti perdido por um jogador do Olaria contra o São Cristóvão. Foi vaia para centro-avante argentino que furou uma bicicleta em jogo contra a seleção brasileira.
Coitado dos dois boxeadores cubanos que se disseram enganados por empresário alemão e iam pedir asilo político lá. Foram encontrados na região dos Grandes Lagos e devolvidos para Fidel. Polícia é assim ; quando quer , acha. Bandido se esconde nos pequenos lagos e passa despercebido, como é que acharam dois negros insuspeitos nos grandes lagos ?
E o doping, hein ? Zero. Pode ? Bem à beira do morro ?
Não fomos bem no tiro. Poderia ter havido uma bala perdida pelo menos. Ou então, a polícia ter liberado uns quatro ou cinco da clausura para que eles conseguissem uma medalhinhas a mais. E não precisavam nem de técnico que aliás é uma coisa que eu não entendo. O que faz um técnico da delegação de tiro ? Fala para os atletas(?), mire naquilo pontinho preto e manda bala ?
O complexo Maria Lenk e a arena multi-uso, são realmente espetaculares, coisas de primeiro mundo. Mas me intriga que na hora de abrir a licitação para em empresas privadas não apareceu nenhuma canditata e a prefeitura do Rio tenha ficado com a administração desses locais. Um mico ?
Complexo aquático Maria Lenk
Pode não ter nada a ver, mas só o Bobs ter exclusividade por venda de alimentos nos locais do Pan, foi um erro. E pior, muitas vezes, faltou mostarda. Salsicha morna sem mostarda é coisa só para campeonato de glutões na Ásia. Tentei levar mostarda de casa, mas fui impedido. O que é isso, perguntaram. Mostarda, respondi. Gás ? Claro que não, em pacotinho não existe, retruquei. Não teve acordo.
Mas a melhor coisa que vi foi uma tal Marta, número 10 do futebol feminino. Como joga. Obina , do Flamengo, viu e tratou logo de se recuperar da contusão. Clodoaldo, do Corinthians resolveu fazer alguns gols. Já pensou, uma mulher vestindo a 10 do Flamengo ou do Corinthians ? E aquela bandeirnha da Playboy num rompante de movimento feminista deixar de apitar impedimentos da craque ? Seria uma festa, com certeza. Mas se isso acontecesse, claro que o Odivan, na primeira oportunidade resolveria o problema. Fraturas múltiplas, dessas de mandar a vítima para um relojoeiro porque não haveria ortopedista que desse jeito !

